RM 2026 - Mensagem Secretário Regional da Economia
Há 67 anos que o Rali da Madeira encontra nas nossas serras um dos seus mais singulares palcos.
Ao longo deste tempo, foi muito mais do que uma competição. Acompanhou a transformação da Região, atravessou gerações e tornou-se parte de uma memória coletiva que os madeirenses reconhecem como sua.
Talvez por isso o Rali diga tanto sobre a Madeira.
Esta é uma terra que sempre viveu em diálogo com a dificuldade do seu território. A montanha, que durante séculos impôs caminhos e distâncias, foi também aquilo que nos ensinou a procurar novas passagens, a vencer declives, a construir soluções onde outros encontrariam apenas obstáculos.
Há, nessa relação com a nossa geografia, algo que pertence à própria têmpera dos madeirenses.
E é difícil não reconhecer essa mesma exigência quando vemos um carro encontrar, a grande velocidade, a linha exata de uma estrada de montanha; quando as mãos se fundem com o volante, o olhar antecipa a curva e uma decisão tomada numa fração de segundo pode determinar o resultado de toda uma prova.
O Rali tem essa extraordinária particularidade de juntar o domínio da técnica à imprevisibilidade da paisagem, a precisão do homem à força da natureza. E é nessa conjugação que se torna único.
Mas há outra dimensão que importa preservar.
O Rali é uma das grandes ocasiões em que a Madeira se reúne à volta de uma paixão comum. As estradas enchem-se, as famílias encontram-se, os amigos reencontram-se e diferentes gerações partilham o mesmo entusiasmo. Por alguns dias, a competição transforma-se numa celebração coletiva e a ilha inteira participa, à sua maneira, naquilo que acontece nas suas estradas e nas suas serras.
É uma festa que nasceu entre nós e que, precisamente por isso, sabemos receber e partilhar.
Porque a identidade de uma Região não se constrói apenas naquilo que conserva. Constrói-se também na capacidade de abrir as suas portas, de acolher e de se afirmar para além das suas fronteiras. O Rali da Madeira é um exemplo dessa expansão.
Todos os anos, pilotos, equipas, profissionais e adeptos chegam à Região para enfrentar um percurso que conhecem pela sua exigência e reconhecem pela sua singularidade. E, através deles, das imagens e da atenção que a prova desperta, a Madeira chega também a outros lugares do mundo.
A nossa paisagem deixa de ser apenas o cenário onde a competição acontece e torna-se parte da própria identidade da prova. É uma forma particularmente feliz de afirmar a Madeira: não através de uma representação construída, mas através daquilo que somos, do território que habitamos e da capacidade de transformar as suas características numa experiência única.
O Governo Regional reconhece nesta prova esse valor desportivo, mas também o seu significado para a promoção externa da Região, para a afirmação do turismo desportivo e para a dinamização da atividade económica.
É por isso que continuaremos a apoiar o Rali da Madeira e a trabalhar com todos aqueles que, ao longo de décadas, contribuíram para a sua continuidade e para o lugar que hoje ocupa.
À organização, aos pilotos, às equipas, aos patrocinadores e a todos os que tornam possível mais uma edição, deixo o meu reconhecimento.
Aos que chegam à Madeira, desejo as boas-vindas.
E aos madeirenses, deixo uma palavra de confiança para que continuem a viver esta prova com a paixão de sempre.
O Rali da Madeira é, afinal, uma expressão muito clara daquilo que somos: uma Região insular, mas nunca fechada; uma terra de montanha, mas habituada a procurar caminhos; uma comunidade que preserva as suas tradições sem deixar de olhar para o futuro.
Que a 67.ª edição do Rali da Madeira seja, uma vez mais, esse ponto de encontro entre a nossa identidade e o mundo, entre a emoção da competição e a força da paisagem, entre a memória de uma tradição e a capacidade de a renovar.
E que, quando os motores voltarem a ouvir-se pelas serras, possamos reconhecer nesse som não apenas o regresso de uma grande prova, mas também uma parte da história viva da Madeira.
Bem-vindos ao Rali da Madeira 2026.




