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Lendas do RVM: “Janica” Clemente

Durante muitos anos, “Janica” Clemente foi o último madeirense a vencer a Volta à Ilha da Madeira, primeira denominação do Rali Vinho da Madeira. O piloto conseguiu o feito em 1975 na edição que sucedeu um hiato na realização do evento devido à crise petrolífera de 1974. Só quase 30 anos depois, Vítor Sá conseguiria o mesmo. O triunfo do piloto só veio reforçar a sua popularidade no arquipélago pois já era muito apreciado não só pela sua amabilidade como pela sua condução espetacular, com muitos power slides. João “Janica” Clemente Aguiar nasceu no Funchal no final da década de 1930 e nos ralis construiu uma carreira sempre associado à Ford. Os seus principais resultados foram conquistados na década de 1970 com viaturas como o Ford Cortina Lotus e as duas versões do Ford Escort RS 1600. Tal como muitos outros pilotos madeirenses na altura, também obteve boas classificações em ralis disputados no arquipélago das Canárias. O piloto retirou-se bastante cedo das competições e veio a falecer no começo de 2018, vítima de doença prolongada.

Lutar pela vitória

João Silva regressa à atividade neste Rali Vinho da Madeira em que “o objetivo é o mesmo do ano passado, lutar pela vitória. Desta vez iremos tripular um carro atual bem como julgamos ter reunido os meios e os recursos para o fazer. Queremos rodar o melhor possível. Claro que temos contra nós a necessidade de nos adaptarmos rapidamente a uma nova viatura que desconhecemos e também estamos parados há muito tempo. No entanto, isso faz parte do jogo”. O piloto tem 32 anos de idade e começou nos ralis em 2007 com um Toyota Yaris. No ano seguinte passou para os comandos de um Citroën C2 R2. Já em 2009 adquiriu um Renault Clio R3 e com esse modelo, que manteve até 2016, foi campeão regional júnior em 2009 e 2010 e o campeonato português de duas rodas motrizes no ano seguinte. De permeio, participou em 2012 nalgumas provas do WRC com um Ford Fiesta R2. Entre 2017 e 2019 esteve com um Citroën DS3 R5 com que obteve os seus triunfos absolutos em ralis regionais e foi vice-campeão regional absoluto em 2017 e 2018. Neste Rali estreia-se aos comandos de um Skoda Fabia R5 Evo.

Lendas do RVM: Lancia 037

Tal como no mundo dos ralis, o Lancia 037 é um carro que ficará para sempre na memória dos madeirenses. O modelo italiano desistiu no seu ano de estreia, 1982 mas entre 1983 e 1986 venceu duas vezes e esteve em mais seis ocasiões no pódio. O seu ruído metálico e as linhas da Pininfarina não deixavam ninguém indiferente ao Lancia Rally, o seu nome oficial, que, contudo, ficaria conhecido como 037, o número do projeto na Abarth. Revelado em 1982, o Lancia Rally 037 resultou de um projeto comum da Abarth, Pininfarina e Dallara e, numa altura em que a tração integral começava a se impor, apostava na racionalização máxima de uma viatura de tração traseira no espírito do grupo B. Tinha dimensões reduzidas (3,9m x 1,85m x 1,25m) e o seu peso estava muito próximo do mínimo permitido, 960 kg. Tinha um motor de quatro cilindros em linha com 1.995 cc e debitava cerca de 515 cavalos na sua versão de injeção. Na sobrealimentação era usado um compressor volumétrico Roots que, em detrimento da potência, privilegiava a entrega de binário.

Lendas do RVM: “Zeca” Cunha

O primeiro piloto a conseguir vencer a Volta à Ilha da Madeira, antiga denominação do Rali Vinho da Madeira, foi “Zeca” Cunha. O piloto conseguiu a proeza em 1965 com um Triumph TR4. Para além de uma rapidez muito grande, Cunha tinha uma postura irreverente que ajudou a construir a sua fama. O piloto foi para toda uma geração um símbolo de velocidade e também um exemplo de irreverência e comportamento dissonante dos cânones da altura. “Zeca” Cunha nasceu em 1944 e começou a prática de automobilismo no começo da década de 1960. Esteve ao volante de viaturas como o Triumph TR4 com que venceu o Rali, Ford Cortina Lotus, Renault 8 Gordini, volvo PV544 e Opel GT. A sua velocidade chamou a atenção dos responsáveis pela Gordini que lhe endereçaram um convite para correr para aquela filial da Renault no estrangeiro. O piloto faleceu na segunda metade dos anos 1980 de morte súbita.

Formação equipa de Controladores

Está a decorrer uma formação para as equipas de controladores que irão participar no Rali Vinho da Madeira. Trata-se de uma formação práctica para rever procedimentos em situações de stress e reagrupamentos. Pelas 19 horas terá lugar uma reunião geral para Controladores, Chefes de Troço e Comissários de Estrada. Estes encontros têm lugar na Escola Dr.Horário Bento de Gouveia.

Entrega de material com cumprimento de regras sanitárias

Já começou a ser entregue o material aos concorrentes inscritos no RVM 2020. As entregas serão efetuadas na Escola Dr. Horácio Bento de Gouveia, durante o fim-de-semana. Neste processo estão a ser seguidas todas as recomendações das Autoridades de Saúde: medição de temperatura, uso de máscara, uso de desinfetante e distanciamento social.  O material entregue aos concorrentes inclui: Conjunto de cadernos de itinerários, conjunto de mapas, identificativos para os condutores e os elementos da assistência, placa de assistência e placa auxiliar, números de competição, autocolantes de publicidade e informações importantes para as verificações documentais, técnicas e para o Parque de Assistências.  

Lendas do RVM: Ferrari 308 GTB

A mítica Ferrari venceu o Rali Vinho da Madeira em 1962 com o não menos endeusado 250 de Horácio Macedo mas seria o 308 GTB a cativar o numeroso público local. Aproveitando a homologação em grupo 4 do modelo para pista, o concessionário francês da marca italiana decidiu apostar na sua utilização em ralis de asfalto. Nesse contexto, Jean-Claude Andruet esteve na Madeira e lutava pela vitória em 1981 quando foi forçado a desistir devido a um problema com o combustível. Nem por isso, o modelo com as belas linhas de Pininfarina deixou de integrar a galeria dos clássicos do evento. O Ferrari 308 GTB foi produzido entre 1975 e 1985 e tinha um comprimento de 4,22m, altura de 1,12m e largura de 1,72m. O motor colocado centralmente na traseira era de 8 cilindros em V com 2.927 cc e debitava em competição cerca de 315 cavalos. Uma das suas características ímpares era dispor de uma carroçaria em fibra de vidro que ajudava a limitar o peso a 1050 kg.

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